Retrospecto completo: Flamengo x Vasco - História, duelos marcantes e curiosidades

O apelido de Clássico dos Milhões fala por si só, e a realidade é que o clássico entre Flamengo e Vasco é, há um século, uma das partidas mais capazes de concentrar expectativas em todo o território nacional.
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Envolvendo dois times de presença em todos os cantos do Brasil, o jogo opõe dois rivais históricos, acostumados a duelar pelo protagonismo estadual e até nacional — ainda que menos hoje em dia.

Autorizado pela Portaria SPA/MF Nº 250, de 07/02/2025 | +18 | Publicidade | T&C Aplicam-se | Jogue com Responsabilidade.
O primeiro confronto foi disputado há pouco mais de 103 anos, mais especificamente no dia 26 de março de 1922. Nas Laranjeiras, o Mengo venceu por 1 a 0, gol de Segretto.
Números gerais de Flamengo x Vasco
- Jogos: 429
- Vitórias do Flamengo: 167
- Empates: 123
- Vitórias do Vasco: 139
- Gols do Flamengo: 571
- Gols do Vasco: 532
Jogos marcantes
No mar de partidas decisivas e confrontos históricos entre Flamengo e Vasco, a tarefa de escolher um punhado é inglória e certamente injusta com vários que ficarão de fora.
A missão, portanto, é apontar três que deixaram algum tipo de marca ou curiosidade na história. E, sem dúvidas, a decisão do Campeonato Carioca de 1978 entra nesse panteão de cabeça erguida.
O famoso gol de Rondinelli, o "Deus da Raça", poderia contar apenas mais uma história de superação do Flamengo nos minutos finais ou só mais um vice do clube da Colina para o maior rival. Não é bem assim.
Para o próprio Zico, maior ídolo rubro-negro de todos os tempos, aquele gol — e consequentemente o título — é o grande responsável por "libertar" a geração de 1980, que conquistaria tudo com o Manto.
O Flamengo vinha de cinco jogos sem fazer gols sobre o Vasco, um recorde histórico e que nunca foi batido até hoje. Além disso, fora vice para o Cruzmaltino no Carioca do ano anterior.
A principal questão, porém, envolvia um peso e tanto nas costas daquela geração claramente talentosa, mas que perdera o Carioca de 1977 e a Taça Guanabara de 1976. Era necessário se livrar do fracasso.
Em frente a incríveis 120.433 torcedores, o gol de Rondinelli soltou um grito há muito entalado na garganta dos rubro-negros. Uma sensação que, até hoje, faz o enorme Zico se arrepiar ao lembrar.
Entre vários jogos mais importantes, mas que serão relembrados abaixo, uma goleada por 4 a 1 no Brasileirão de 2023 deu o tom da superioridade rubro-negra atual sobre o Vasco e um choque de realidade nos rivais.
Com quatro gols no primeiro tempo, marcados por Erick Pulgar, Gerson, Pedro e Ayrton Lucas, o Rubro-Negro exerceu controle absoluto sobre o rival, que não conseguiu responder.
No intervalo, muitos torcedores vascaínos optaram por deixar o Maracanã e nem viram o gol de Jair, que diminuiu o prejuízo para 4 a 1 no segundo tempo.
A histórica temporada de 2019 trouxe não apenas um ano com títulos eternos ao Flamengo, como também um fim de semana inesquecível. No dia 23 de novembro, um sábado, o time foi campeão da Libertadores; no domingo, venceu o Brasileiro.
Naturalmente, o time não entrou em campo dois dias seguidos. O título foi selado com a derrota do Palmeiras para o Grêmio, por 2 a 1, pela 34ª rodada — justamente a que trouxe o Flamengo x Vasco.
Em ordem trocada devido à final da Libertadores, em 23 de novembro, o jogo da 34ª rodada foi puxado para o dia 13, enquanto o da 33ª (contra o Grêmio) ficou no dia 17.
Assim, o último jogo do Rubro-Negro antes de celebrar a conquista foi contra o time gaúcho, mas a rodada em que selou a taça foi a 34ª — que trouxe um empate memorável, em 4 a 4, no Clássico dos Milhões. O fatídico jogo do "outro patamar".
Em reta final de preparação para enfrentar o River Plate na final, Jorge Jesus entrou com Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Éverton Ribeiro, Gerson e Reinier; Bruno Henrique e Gabigol.
Gols e artilheiros
Falando em números oficiais, foram 353 jogos entre Flamengo e Vasco, também com saldo positivo rubro-negro: 141 vitórias e 105 derrotas, com outros 107 empates. Foram 469 gols do Rubro-Negro e 409 do rival.
Ao longo de todos esses jogos, ninguém marcou mais gols que Roberto Dinamite, ídolo histórico do rival e responsável por anotar 25 gols sobre o Flamengo. O jogador encarou o Rubro-Negro 61 vezes.
A segunda posição tem um empate: Zico, maior ídolo rubro-negro na história, e Romário, primeiro da lista a ter atuado com as duas camisas. Foram 19 gols para cada no clássico.
Os dois nomes seguintes também vestiram as duas camisas, com Bebeto (16 gols) em quarto e Edmundo (14) em quinto. Bruno Henrique é o sétimo da lista, com 11 gols marcados em cima do Vasco.
O top-10 dos artilheiros ainda inclui Petkovic (7), Valdir Bigode (7) e Arrascaeta (6), além de um empate quíntuplo na décima posição — entre Dida, Narciso Doval, Pedro, Gabigol, Vágner Love, Nélio e Júnior (5).
Flamengo x Vasco no Brasileirão
Considerando apenas os embates no Campeonato Brasileiro, Rubro-Negro e Cruzmaltino já fizeram 66 confrontos, com 24 vitórias para o Flamengo e 17 para o Vasco. Além disso, foram 25 empates.
Na contagem de gols marcados, são 87 para o Mais Querido e 72 para o rival, que sofre no retrospecto recente: nos últimos 12 jogos pela competição, não venceu o Flamengo nenhuma vez.
A última vitória do Vasco aconteceu no Brasileirão de 2015, há quase 10 anos. Pela 28ª rodada, o Rubro-Negro perdeu por 2 a 1.
De lá para cá, apenas vitórias do Flamengo ou empates. Uma das mais marcantes veio justamente no ano passado, quando o Rubro-Negro enfiou 6 a 1 de virada e deixou uma marca histórica no rival.
Na ocasião, 62.928 torcedores assistiram ao massacre, que teve renda bruta de R$ 3.402.389,00. Everton Cebolinha, Pedro, David Luiz, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol marcaram para o Flamengo.
Ainda com Tite no comando, aquele time entrou em campo com Rossi; Varela, Fabrício Bruno, David Luiz e Viña; Allan, De La Cruz, Gerson e Arrascaeta; Everton Cebolinha e Pedro.
Confrontos em outras competições
Rivais históricos, Flamengo e Vasco já se encontraram em quase todas as competições do calendário brasileiro. A grande ausência fica por conta da Libertadores, que nunca teve a honra de receber o clássico.
O Campeonato Carioca, naturalmente, foi o grande palco de Flamengo x Vasco na história do futebol. A competição já recebeu o duelo 249 vezes, com 101 vitórias rubro-negras, 80 derrotas e 68 empates.
Entre tantos e tantos duelos decisivos entre os dois, é impossível definir os mais marcantes. A geração do fim do século XX, entretanto, nunca vai esquecer da final do Carioca de 2001 — o lendário gol do Pet.
Em um Maracanã pulsando com 62.555 espectadores, Edílson marcou duas vezes, mas o 2 a 1 ainda era favorável ao Vasco. Aos 43 do segundo tempo, Petkovic eternizou um dos maiores gol de falta da história rubro-negra.
Aquela escalação tinha Júlio César; Alessandro (Maurinho), Juan, Fernando e Cássio; Leandro Ávila, Rocha, Beto (Jorginho) e Petkovic; Reinaldo (Roma) e Edílson. Zagallo era o comandante.
O Campeonato Carioca trouxe o maior número de confrontos e certamente um infinito de histórias, mas a única final nacional entre Flamengo e Vasco veio na Copa do Brasil. E terminou com final feliz para o Mengo.
Foram apenas dois encontros no total, que totalizaram quatro jogos — e cada time levou a melhor uma vez. A de 2006, porém, está eternizada na história da competição, já que decidiu o campeão.
Na ida, o Flamengo abriu a decisão com um 2 a 0 que indica facilidade, mas que foi conquistado em um jogo truncado e com dois gols em menos de três minutos. Obina e Luizão foram às redes, aos 15 e 17 do segundo tempo.
Na volta, Juan marcou um raro gol aos 28 da primeira etapa e tornou a missão do Vasco quase impossível. O rival não reagiu até o fim, e o 3 a 0 coroou o Rubro-Negro como bicampeão da competição.
Vale destacar que aquela foi a primeira vez em toda a história que a competição, introduzida em 1989, foi decidida por dois times de um mesmo estado.
Não há como não lembrar, também, do Campeonato Carioca de 1974 — tão difícil de encontrar em imagens e decidido com mais de 165 mil pessoas no Maracanã (há quem diga que chegou a 200 mil).
Aos 21 anos, o jovem Zico já comandava um time que viria a conquistar tudo na década seguinte. Pela frente, ninguém menos que o Vasco, campeão brasileiro de 1974 com Roberto Dinamite voando.
Aquele Estadual já foi eleito por Zico como o mais importante da carreira, por ser o primeiro efetivamente como titular absoluto e destaque técnico no Flamengo.
Aquele time ainda contava com nomes históricos, como Jayme de Almeida e Júnior, também muito jovens, e o talentoso Geraldo Assoviador — que faleceu ao 22 anos, após complicações em operação nas amígdalas.
Curiosidades de Flamengo x Vasco
A goleada de 2024, por 6 a 1, é a maior que o Flamengo já impôs sobre o Vasco em todos os 103 anos de clássico. A anterior era um 6 a 2, feita no Campeonato Carioca de 1943.
O Vasco que foi campeão da Copa João Havelange, em 2000, teve pesadelos com o Flamengo na primeira fase. Com gols de Petkovic (2), Adriano e Edílson, o Rubro-Negro enfiou 4 a 0 no futuro campeão.
Nos últimos 34 jogos contra o Vasco, o Flamengo perdeu duas vezes. Por outro lado, venceu 19 duelos e empatou 13.
Contabilizando todas as competições, a última vitória do Vasco sobre o Flamengo veio em 2023, no Carioca. Desde então, são dez jogos, com oito triunfos rubro-negros e dois empates.
O time está se aproximando da maior invencibilidade histórica sobre o rival, alcançada entre março de 2017 e abril de 2021: 17 jogos seguidos sem perder.
Último jogo
A última vez que Flamengo e Vasco protagonizaram um clássico no Rio de Janeiro aconteceu em setembro de 2025, pela 24ª rodada do Brasileirão. Com mais de 62 mil torcedores no Maracanã, os rivais fizeram um jogo de muita imposição física e terminaram empatados: 1 a 1.
Jorge Carrascal abriu o placar para o Flamengo ainda no início do jogo, aos 11 minutos, mas Rayan deixou tudo igual aos 30 da primeira etapa. Daí em diante, o Rubro-Negro não conseguiu furar a retranca imposta pelo Vasco, que basicamente limitou-se a defender.
O empate ameaçou momentaneamente a liderança do Flamengo no Brasileirão, mas o primeiro lugar seria recuperado e a campanha terminaria com o nono título nacional da história. A escalação teve Rossi; Emerson Royal, Danilo, Léo Ortiz e Ayrton Lucas; Allan, Saúl Ñíguez e Carrascal; Plata, Everton Cebolinha e Bruno Henrique.














