O segredo de Jardim: a mudança silenciosa que transformou os pontas do Flamengo em 'homens de área'

A vitória por 3 a 0 sobre o Remo no Maracanã deixou claro que o Flamengo de Leonardo Jardim não quer apenas a posse de bola, mas sim uma ocupação agressiva do espaço mais nobre do campo: a grande área. Em sua coletiva após o jogo, o treinador português detalhou uma mudança que explica a fase artilheira de jogadores como Samuel Lino e Luiz Araújo.
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Para o técnico, o conceito de "ponta" que joga apenas rente à linha lateral ficou no passado. Jardim revelou que existe uma cobrança direta para que os jogadores de lado de campo se transformem em segundos atacantes no momento da finalização.
A ideia é simples e matemática: quanto mais camisas rubro-negras estiverem perto do gol, maior a chance de a bola sobrar para um deles.
O treinador foi enfático ao dizer que, se o Flamengo depender apenas de um centroavante isolado, ele será facilmente anulado por quatro defensores adversários.
"Nós temos uma preocupação de preenchimento da área. Quanto mais jogadores colocarmos na área, temos mais opção que a bola caia nos nossos pés. Porque se vamos pensar somente que é o avançado que entra na área, vamos andar com quatro jogadores do adversário contra um nosso", explicou Jardim.
A "invasão" da área como regra coletiva
O treinador usou o gol de Luiz Araújo como o exemplo perfeito dessa nova mentalidade. O atacante não estava aberto esperando um cruzamento, mas sim posicionado por dentro, pronto para aproveitar o rebote.
Segundo Jardim, se Araújo estivesse "encostado na linha", ele jamais teria tido a oportunidade de balançar as redes. Essa movimentação constante para o interior do bloco defensivo adversário tem gerado um volume de jogo que o Flamengo ainda não havia apresentado na temporada.
Os pontas agora funcionam como elementos surpresa, saindo da marcação dos laterais e entrando nas costas dos zagueiros. É uma "simetria de agressividade" que Jardim considera fundamental para evitar que o time tenha o que ele chama de posse de bola estéril.
"O Lino tem percebido isso, como o Araújo hoje também por dentro. É um rebote que cai nos pés do Araújo porque o Araújo está dentro da área. Se ele tivesse encostado à linha, com certeza que ele não ia fazer aquele gol. Esta é uma ideia coletiva, o preenchimento das zonas da área", detalhou o comandante.
Um novo status para Samuel Lino e companhia
Samuel Lino é o maior símbolo dessa metamorfose. Antes visto como um jogador de drible e linha de fundo, ele agora aparece constantemente em zonas de finalização centralizadas. Jardim destacou que essa percepção do jogador é o que tem garantido gols em jogos seguidos, como aconteceu contra o Botafogo e novamente diante do Remo.
O técnico reforçou que essa não é uma instrução individual, mas uma filosofia para todos os seus "extremos", incluindo Everton Cebolinha, Gonzalo Plata e Luiz Araújo. A ordem é clara: atacar e defender com a mesma intensidade, mas, na hora de definir, o destino obrigatório é o coração da área adversária.
Com isso, o Flamengo deixa de ser um time de cruzamentos previsíveis para se tornar uma equipe de infiltrações letais.
"São jogadores que eu gosto que joguem por dentro, algumas situações piquem nas costas da linha adversária. Agora neste momento eu quero associar um bocadinho mais por dentro, de forma àquela ideia inicial: se os jogadores estiverem mais por dentro, estão mais perto da área para os momentos de definição", concluiu Jardim.
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