Lei Vini Jr no Brasil: Câmara vota urgência para federalizar protocolo antirracismo após novos ataques ao Cria do Flamengo

Atualizado: 23/02/2026, 10:30
Vinicius Junior, do Real Madrid, durante o jogo de ida da fase eliminatória da Liga dos Campeões da UEFA 2025/26 entre SL Benfica e Real Madrid C.F., no Estádio do SL Benfica, em Lisboa, Portugal, em 17 de fevereiro de 2026.

O combate ao racismo no futebol brasileiro pode receber incentivos legislativos em breve. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou na Câmara dos Deputados um requerimento de urgência para o PL 3.089 de 2023. O projeto institui o "Programa Vini Jr de Combate ao Racismo" em estádios e arenas esportivas de todo o país.

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A movimentação no Congresso ocorre logo após o atacante Vini Jr, revelado pelo Flamengo e atual camisa 7 do Real Madrid, ter denunciado mais um lamentável episódio de ofensas racistas, desta vez em partida contra o Benfica, válida pela Champions League.

A proposta estava paralisada na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial desde o mês de agosto de 2025. Agora, segundo o "UOL", o requerimento já reúne 400 assinaturas. Se for aprovado, o projeto ganha celeridade e poderá ser analisado diretamente no plenário, sem a necessidade de passar pelas demais comissões da Casa.

O que muda com o 'Programa Vini Jr'?

O objetivo principal de Sâmia e outros congressistas é a federalização da chamada "Lei Vini Jr". O texto já foi aprovado e está em vigor no Estado do Rio de Janeiro, tendo sido uma iniciativa do deputado estadual Professor Josemar (PSOL-RJ).

O texto prevê medidas rigorosas e estruturais para erradicar o preconceito do esporte brasileiro:

  • Paralisação: a proposta cria um Protocolo de Combate ao Racismo que determina a interrupção imediata da partida em caso de denúncia ou manifestação reconhecida de conduta racista.
  • Fim de jogo: em situações de ação coletiva ou reincidência, o protocolo autoriza o encerramento definitivo do jogo e a comunicação imediata às autoridades presentes, ao Juizado do Torcedor e aos demais órgãos competentes.
  • Conscientização e treinamento: o texto torna obrigatória a realização de campanhas educativas contra o racismo antes e durante os eventos esportivos. Além disso, também prevê a capacitação de atletas, árbitros, técnicos e funcionários para identificar e lidar com situações de discriminação.
  • Suporte: o projeto ainda estabelece medidas de acolhimento às vítimas e orientação ao público sobre como denunciar casos de racismo.

 


James Brito
Autor
26 anos, natural de Vitória da Conquista (BA), jornalista em formação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Curioso por natureza, busca no esporte um campo infinito para observar, aprender e comunicar.