Justiça do Rio rejeita ação do MP e livra Flamengo de multa milionária

Atualizado: 26/02/2026, 12:24
Fachada do CT do Flamengo

O Flamengo obteve uma vitória importante nos tribunais. A Justiça do Rio de Janeiro rejeitou um pedido do Ministério Público (MPRJ) e livrou o clube de pagar uma multa de R$ 5 milhões. A ação cobrava danos materiais e morais coletivos após denúncias de torcedores que tiveram seus ingressos gratuitos bloqueados.

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Segundo a "ESPN", o inquérito civil instaurado pelo MP apurava uma suposta prática ilícita do Rubro-Negro e da empresa Eleven360 Tecnologia, responsável pelo sistema de bilheteria. A polêmica teve início quando sócios-torcedores com direito a entradas grátis foram barrados na plataforma sob a justificativa de uso irregular do benefício.

Entenda a confusão com o bloqueio do MP

Na época dos bloqueios, os consumidores relataram que seus CPFs foram restritos por uma suposta "ordem do Ministério Público". O fato causou indignação e levou vários torcedores a procurarem a ouvidoria do órgão para registrar queixas formais.

Ao ser questionado, o Flamengo esclareceu que tudo não passou de um grande erro de comunicação. Ocorreu uma falha pontual de uma atendente de call center que, sem o devido conhecimento jurídico, se confundiu e informou equivocadamente que a ordem partira do MP. Na realidade, a diretriz havia partido da Polícia Civil.

Sem reconhecer a ordem, o MP enxergou ofensa aos direitos dos consumidores e tentou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o clube. Como não houve acordo, o órgão ingressou com a ação judicial alegando "flagrante ilicitude".

Combate ao cambismo e lista da Polícia

A defesa do Flamengo foi contundente nos tribunais, argumentando que o clube agiu no estrito cumprimento do seu dever de combater o cambismo e a venda indevida de cortesias.

Para sustentar sua posição, o Rubro-Negro demonstrou que agiu com base em um ofício enviado pela Secretaria de Estado de Polícia Civil em setembro de 2022. O documento policial continha uma lista detalhada com cerca de 900 pessoas cujos ingressos foram apreendidos por terem sido adquiridos como gratuidade, mas que não estavam na posse dos verdadeiros beneficiários.

A diretoria do Fla destacou ainda um detalhe curioso e fundamental no processo: alguns dos próprios consumidores que foram reclamar na ouvidoria do MP figuravam nessa exata lista policial de envolvidos com a prática de cambismo.

"Ao contrário do que sustenta o MPRJ nesta ação, a conduta adotada pelo Flamengo não foi ilegal, ilegítima ou infundada. Pelo contrário, pautou-se em indícios concretos de irregularidades no uso da gratuidade de justiça", argumentou a defesa rubro-negra nos autos.

Decisão final e os próximos passos

Ao analisar o caso, a Justiça deu parecer favorável ao Flamengo, entendendo que não há no processo nenhuma comprovação de que tenha havido qualquer prejuízo material aos consumidores. O juiz concluiu que, sem dano comprovado, não se pode aplicar indenização a um "dano hipotético".

Apesar da vitória flamenguista em primeira instância, o embate jurídico deve ganhar novos capítulos. O Ministério Público já recorreu da sentença e solicitou que a decisão seja reformada em instâncias superiores.


James Brito
Autor
26 anos, natural de Vitória da Conquista (BA), jornalista em formação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Curioso por natureza, busca no esporte um campo infinito para observar, aprender e comunicar.