Uri Geller recorda como o Remo foi o trampolim para sua glória no Flamengo

O reencontro entre Flamengo e Remo nesta quinta-feira (19), no Maracanã, mexe com o coração de um personagem místico do futebol brasileiro: Júlio César, o eterno Uri Geller. Famoso por "entortar" adversários como o ilusionista entortava garfos, o ex-atacante é o elo vivo entre os dois clubes que não se enfrentam pelo Campeonato Brasileiro há 48 anos.
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Em entrevista ao ge, Uri Geller relembrou como vestir a camisa do Leão Azul em 1978 foi o passo decisivo para que ele retornasse à Gávea e fizesse parte da geração de ouro do Mengão.
O Remo como trampolim para Uri Geller
Cria da base do Flamengo, Júlio César não encontrou espaço imediato no profissional aos 18 anos e foi emprestado ao Remo em 1977. No Pará, ele não apenas brilhou - sendo eleito o melhor jogador da temporada e campeão estadual sobre o Paysandu - como usou o confronto direto contra o Rubro-Negro para provar seu valor.
"Eu me concentrei duas semanas para esse jogo [em 1978], porque era minha chance de voltar. Fui o melhor em campo. Peguei meu grande amigo Rondinelli, eu estava daquele jeito (risos). O Remo foi o clube que me deu a mão para que eu pulasse o muro de volta", recordou o ídolo.
Além do bom desempenho, uma obra do acaso também o ajudou. Joubert Meira, que era o seu treinador no Remo, se tornou comandante do Flamengo. Assim, o levou de volta ao Rubro-Negro.
"Meu treinador no Remo era o Joubert Meira, ele deixou o clube em uma situação muito boa e foi para o Flamengo, me levando de volta. Aí depois já foi o Cláudio Coutinho", lembra o ex-jogador.
De flanelinha a campeão do mundo e a parceria com Adílio
A história de Uri Geller se confunde com a de outro gigante: Adílio. Amigos desde os 6 anos, quando um vendia amendoim e o outro era flanelinha no Leblon, foi Júlio César quem "descobriu" o camisa 8 na comunidade da Cruzada e o levou para pular o muro da Gávea para treinar futsal.
Essa união, que começou na infância e passou pelo futsal, culminou no time que conquistou o Brasileiro de 1980, a Libertadores e o Mundial.
Legado e saudade
Hoje morando em Sergipe, Júlio César continua servindo ao Flamengo através do FlaMaster, ao lado de Andrade. O projeto, que era liderado por Adílio (falecido em 2024), roda o Brasil levando a história do clube para os torcedores.
Para o jogo desta quinta-feira, o coração de Uri Geller é rubro-negro, mas tem enorme gratidão ao Remo por tudo que conquistou lá e depois da sua passagem pela equipe do Pará.
"Minha paixão é o Flamengo, mas eu tenho uma consideração muito grande pelo Remo, que me ajudou a pular o degrau. O meu primeiro degrau foi jogando pelo Leão, e eu tenho uma paixão muito grande por eles também."
Números de Júlio Cesar Uri Geller pelo Flamengo
Entre 1975 e 1971, Uri Geller fez 132 jogos pelo Flamengo, ganhando 93 (70%) e marcando dez gols com o Manto Sagrado.












