Juca Kfouri chama Bap de chantagista após críticas à reforma tributária

Atualizado: 06/02/2026, 08:56
Juca Kfouri (esquerda) Bap (direita)

O debate sobre a reforma tributária ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (6) com um ataque direto de Juca Kfouri ao presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista. Em coluna publicada no UOL, o jornalista classificou como “chantagem” a declaração de Bap de que pode encerrar investimentos nos esportes olímpicos.

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"Seu presidente Bap ameaçar parar com os esportes olímpicos caso passe, na reforma tributária, o aumento da tributação dos clubes associativos cheira à chantagem", diz trecho da publicação.

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A crítica de Juca Kfouri surge após o Flamengo divulgar projeções que apontam um impacto financeiro de cerca de R$ 728 milhões em sete anos. Um cenário que, segundo o clube, tornaria insustentável a manutenção de algumas modalidades olímpicas. 

Para o colunista, no entanto, o argumento perde força ao ignorar benefícios históricos concedidos aos clubes associativos. Isenções fiscais e patrimoniais, além da capacidade de gerar receitas milionárias com a formação e venda de atletas. Mas vale destacar que o futebol não é tratado como financiador das modalidades, ao menos no Flamengo.

Juca também rebate a tese de desequilíbrio em relação às SAFs ao afirmar que clubes tradicionais operam em “chão de fábrica isento de tributos”. Ele cita exemplos de isenção de IPTU em centros de treinamento e sedes sociais.

Na visão do jornalista, ameaçar abandonar esportes olímpicos não contribui para um debate sério sobre a reforma tributária e ainda enfraquece o valor da marca Flamengo.

A posição contrasta frontalmente com a do clube, que defende que a reforma pune quem investe no esporte olímpico e favorece modelos empresariais com fins lucrativos. Afinal, SAFs controlam apenas a operação do futebol e não reinvestem o dinheiro em outras modalidades do clube social. 

Entenda como a reforma tributária atinge o Flamengo

A reforma tributária já foi aprovada e extingue PIS, Cofins, ISS e ICMS, criando dois novos tributos, CBS e IBS, cuja aplicação começa de forma gradual e entra em vigor a partir de 2027. O novo sistema muda a base de cobrança e acaba com regimes especiais que hoje beneficiam clubes associativos.

Atualmente, clubes sem fins lucrativos têm isenções ou carga reduzida em PIS e Cofins, além de tratamento favorecido em ISS e ICMS em diversas operações ligadas ao esporte. Com a reforma, essas isenções não são preservadas, e as receitas passam a ser tributadas por CBS e IBS.

Para os clubes, a alíquota efetiva estimada fica em torno de 11% sobre receitas operacionais, contra cerca de 6% pagos pelas SAFs. A diferença ocorre porque as SAFs tributam apenas o futebol, enquanto clubes associativos entram integralmente no novo sistema.

No Flamengo, futebol, esportes olímpicos e atividades sociais estão no mesmo CNPJ e passam a sofrer essa carga maior. O impacto direto é menos dinheiro disponível para bancar modalidades deficitárias, aumento do custo operacional e possível perda de competitividade em relação a SAFs.

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Matheus Celani
Autor
Jornalista graduado no Centro Universitário IBMR, 23 anos, natural do Rio de Janeiro. Amante da escrita e um completo apaixonado pr futebol, vôlei e esportes olímpicos.