Investigação sobre depósitos em dinheiro coloca Julio Casares no centro de crise política no São Paulo

Atualizado: 06/01/2026, 09:06
Julio Casares, presidente do São Paulo, coça barba no queixo com semblante sério durante coletiva de imprensa

O presidente do São Paulo, Julio Casares, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil após relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontarem o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro, feitos de forma fracionada, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

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Os documentos embasam um inquérito que apura possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao dirigente. O caso corre sob segredo de Justiça, pedido feito pela própria Polícia em três ocasiões. Procurada, a instituição confirma a existência da investigação, mas não comenta detalhes sobre o conteúdo ou os investigados. As informações são do UOL.

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Relatórios do Coaf apontam depósitos fracionados e alertas bancários

Segundo os relatórios, os valores foram depositados em pequenas quantias, prática classificada pelo Coaf como “smurfing”, estratégia usada para tentar burlar mecanismos automáticos de controle financeiro.

Há registros de até 12 depósitos em um único dia, além de operações no valor de R$ 49 mil, logo abaixo do limite de R$ 50 mil, a partir do qual as instituições financeiras são obrigadas a notificar automaticamente o órgão.

Em 2023, o próprio banco em que Casares mantinha conta emitiu um alerta de movimentações atípicas ao Coaf.

A investigação dividiu as operações em três períodos:

  • entre janeiro de 2023 e março de 2024, foram R$ 476 mil em dinheiro, divididos em 79 transações;

  • entre março e outubro de 2024, R$ 600 mil, que representaram mais de 50% da renda do período;

  • entre outubro de 2024 e maio de 2025, R$ 415 mil em depósitos.

Justificativa apresentada ao banco e renda declarada

De acordo com os documentos, Casares chegou a justificar parte dos valores ao banco como “recursos recebidos em espécie do SPFC referente à bonificação dos campeonatos”.

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Nos 29 meses analisados, o presidente do São Paulo teria uma renda aproximada de R$ 3,2 milhões, sendo R$ 2,6 milhões acima do salário, com destaque para os R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro.

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Saques em dinheiro do São Paulo e posição do clube

Outro relatório do Coaf aponta que, entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, foram sacados R$ 11 milhões em espécie das contas do São Paulo, divididos em 35 saques.

A investigação, até o momento, não estabelece relação direta entre esses saques e os depósitos feitos na conta de Casares. O clube afirma que apresentará a contabilidade integral dos valores e sustenta que não há vínculo entre os fatos.

Em nota, o São Paulo diz que acompanha o caso, está à disposição das autoridades e agirá conforme a lei e eventuais determinações judiciais.

Pagamentos ligados à ex-esposa de Casares

Os documentos também indicam que a conta de Casares foi utilizada para custear despesas de sua ex-esposa, Mara Casares, diretora licenciada do clube. Foram pagos 104 boletos bancários emitidos em nome dela.

Mara é investigada em outro inquérito, que apura um suposto esquema de venda irregular de camarotes no São Paulo.

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Reunião de emergência e debate sobre renúncia

Após ser informado da publicação da reportagem que revelou a investigação, Casares convocou uma reunião de emergência com diretores e aliados políticos do clube, na noite de segunda-feira (5).

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Segundo relatos, o presidente foi aconselhado a renunciar, como forma de preservar a instituição e reduzir os impactos políticos e esportivos da crise. Apesar da pressão, decidiu permanecer no cargo, ao menos neste momento.

Em conversas reservadas, Casares tem afirmado que pretende comprovar sua inocência e que vê a situação como resultado de injustiças, adotando como estratégia a colaboração com as investigações.

Defesa de Casares nega irregularidades e afirma origem lícita dos recursos

Em nota à imprensa, os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Julio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras apontadas nos relatórios do Coaf têm origem lícita e legítima.

Segundo a defesa, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares atuou em cargos de alta direção na iniciativa privada, com remuneração compatível com os valores investigados.

Os advogados também afirmam que a origem dos recursos será detalhada no curso das investigações, com apresentação de provas, declarações e informações fiscais, destacando que a defesa ainda não teve acesso à íntegra do inquérito policial.

Clima político segue tenso no São Paulo

O caso ampliou a pressão interna sobre a gestão de Casares. Aliados alertam para a possibilidade de perda de apoio político e dificuldades de governabilidade nos próximos meses.

O São Paulo também contratou o escritório Iokoi Advogados para acompanhar o caso, o mesmo que representou o clube em 2019 em outra investigação envolvendo ex-dirigentes.

Enquanto a apuração segue sob sigilo, o ambiente político no clube permanece instável, com expectativa por novos desdobramentos jurídicos e institucionais.

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Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...