Flamengo e o esporte olímpico: gestão, patrocínio e a realidade ignorada no Brasil


O Flamengo não abandona o Esporte Olímpico. O Esporte Olímpico é que insiste em abandonar a realidade.
Eu sou daqueles que quando me perguntam qual esporte eu gosto, a resposta vem automática: o esporte que o Flamengo estiver disputando. Pode ser futebol, basquete, vôlei, judô ou até cuspe à distância. Porque no fundo não é só sobre a modalidade. É sobre pertencimento.
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Quando veio o anúncio do fim do patrocínio a algumas modalidades olímpicas nesta semana, o impacto foi imediato. O sentimento inicial foi de revolta, quase instintivo:
“Porra, que absurdo!”.
É humano. É rubro-negro. É o orgulho de quem sabe que o Flamengo é, disparado, o maior clube poliesportivo do Brasil. Mas paixão não pode anular análise. E é aí que o debate precisa sair do raso.

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O Flamengo forma atletas olímpicos como nenhum outro clube de camisa no país.
Forma, desenvolve, sustenta base… e isso é fato, não opinião. O que foi encerrado agora não é formação. É patrocínio. É investimento em atletas e modalidades nas quais o Flamengo não atua como desenvolvedor, mas apenas como apoiador institucional, em troca de visibilidade.
E aqui mora o grande problema!
Esses esportes, infelizmente, têm zero visibilidade no Brasil. E quando têm alguma, ela quase nunca vem acompanhada do devido crédito a quem investe. As transmissões são raras, as mesas-redondas ignoram. As matérias exaltam medalhas, mas escondem quem apoia e investe.
Quando o atleta vence, o mérito vira da federação, da confederação, do “sistema”. O nome do Flamengo? Some.
Aos críticos da postagem abaixo:
— Diogo Almeidaᴹᴿᴺ (@DidaZico) January 7, 2026
Trancrevi todo o programa PódioCast ESPN #24 "OLIMPÍADAS AO VIVO: Show de Rebeca Andrade e o dia histórico do Brasil em Paris", que foi ao ar no Canal da ESPN Brasil wm 01/08/2024, após a ginasta do Flamengo conquistar a medalha de prata.
Com… https://t.co/OVbOiEHL4C pic.twitter.com/Jgl72Y8kaF
O custo do Flamengo no esporte olímpico
Aí, quando o clube toma uma decisão racional, profissional, coerente com o modelo de gestão que o tirou da insolvência e o colocou entre os mais sólidos das Américas, a gritaria começa.
“Mas o Flamengo é bilionário!”
“Como assim não pode patrocinar um atleta olímpico?”
Pode. Mas não é obrigado. E se hoje pode escolher, é exatamente porque aprendeu a dizer não.
Se um patrocinador sai por falta de retorno, o correto não é simplesmente criticado, o correto é entender “por que saiu?”, mas “por que não houve retorno?”. Onde está a visibilidade? Onde estão as transmissões? Onde está a mesma imprensa milionária para transmitir, divulgar, fomentar essas competições?
Por que o clube, só por ser rico, é moralmente obrigado a investir sem retorno, enquanto veículos bilionários não têm obrigação alguma de mostrar esses esportes e divulgar que apoia?
➕ Coluna do Marcelo Hallais: Flamengo: quem sempre dá, quando tantos só pedem
É mais fácil bater em quem aparece do que enfrentar estruturas arcaicas, intocáveis há décadas.
É mais confortável transformar gestão em vilania do que discutir por que quase ninguém investe em esporte olímpico no Brasil.
E que fique claro: como rubro-negro e amante do esporte, eu quero que o Flamengo esteja em tudo. Quero basquete em uma cidade, vôlei em outra, handebol em outra… quero o Flamengo espalhando esporte pelo Brasil, dialogando com os 80% da Nação que estão fora do Rio. Mas isso não depende só do clube.
Cadê as federações?
Cadê as confederações?
Cadê o governo?
Cadê a mídia?
Ou eles só aparecem quando é para criticar o Flamengo?
O clube não deu um passo atrás por covardia. Deu um passo atrás por lucidez, para continuar avançando depois. Porque responsabilidade financeira também é compromisso com o esporte, talvez o mais difícil de explicar para quem nunca precisou administrar nada.
No fim das contas, o Flamengo não virou as costas para o esporte olímpico. Apenas se recusou a continuar sendo o único adulto numa sala cheia de omissos.
Marcelo Hallais é administrador de empresas e sócio do Clube de Regatas do Flamengo. Siga-o no X/Twitter: @marcelohallais
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