Flamengo contra-ataca na Justiça e pede extinção de processo de R$ 100 milhões por racismo

Atualizado: 06/02/2026, 10:14
Fachada do CT do Flamengo

O Flamengo decidiu não apenas se defender, mas contra-atacar judicialmente após ser alvo de uma ação civil pública movida pela entidade Educafro, que cobra uma indenização de R$ 100 milhões por supostas práticas racistas. Em petição enviada à 34ª Vara Federal do Rio de Janeiro, o departamento jurídico rubro-negro classificou a iniciativa como "oportunista, impertinente e manifestamente atentatória à boa-fé".

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Segundo a "ESPN", o clube alega estar sendo transformado em "bode expiatório de um fenômeno social amplo e complexo" e pede não só a extinção do processo, mas também a condenação da entidade por litigância de má-fé.

Defesa do Flamengo

O principal argumento do Mais Querido é a seletividade da ação. Os advogados do clube questionam o motivo de apenas o Flamengo ter sido processado dentro de uma tese de "racismo estrutural no futebol brasileiro", enquanto a CBF, federações e outros clubes não foram citados.

"Essa seletividade, para além da tentativa de atrair os holofotes para si ao escolher o Flamengo como alvo, revela caráter discriminatório da própria ação, direcionada injustificadamente contra uma única agremiação", aponta a defesa rubro-negra na petição.

Para o clube, a manobra da Educafro desnatura a finalidade da ação civil pública (que deveria proteger interesses coletivos) e tenta transformar o Flamengo em um "inimigo institucional". A defesa ressaltou ainda que a governança do clube inclui uma cultura de não discriminação, citando cartilhas, cursos e seminários antirracistas realizados recentemente.

Origem do processo

A ação da Educafro foi protocolada em setembro do ano passado, motivada inicialmente por declarações do diretor da base, Alfredo Almeida, em julho. Na ocasião, ao comparar o futebol brasileiro com o europeu e africano, o dirigente utilizou termos que geraram polêmica:

"A África tem valências físicas como quase nenhuma parte do mundo. A parte mental, temos que ir a outras zonas da Europa e do globo", disse Almeida na época.

Posteriormente, o diretor pediu desculpas, afirmando que sua fala foi isolada do contexto e que não houve intenção discriminatória.

No entanto, a Educafro expandiu a denúncia para um suposto "histórico de racismo no Flamengo" desde a sua fundação. A entidade cita que jogadores lendários como Leônidas da Silva e Domingos da Guia enfrentaram discriminação interna e que ídolos negros mais recentes, como Adílio e Andrade, teriam sido "esquecidos" em homenagens. A petição da ONG menciona ainda cânticos racistas de torcedores nos anos 2000 como prova de que o problema persiste.

Fla pede extinção da ação e condenação

O Flamengo rebateu as acusações históricas e fáticas, chamando a petição inicial de "confusa" e "cheia de contradições". Diante disso, o Rubro-Negro solicitou à Justiça a extinção do processo sem resolução do mérito e a condenação da Educafro por má-fé, exigindo pagamento de custas processuais, honorários advocatícios e indenização por perdas e danos à reputação do clube.

"A Educafro sustenta suas alegações contra fatos públicos e notórios, em comportamento que se enquadra como litigância de má-fé, prática processual predatória e tem como resultado um dano à reputação do CRF", declarou o clube.

Exigências da Educafro 

Além da indenização coletiva de R$ 100 milhões (destinada a projetos de igualdade racial), a entidade pede, entre outras coisas:

  • Criação de uma comissão de igualdade racial no clube;
  • Implementação de cotas raciais em cargos de direção;
  • Adoção de medidas concretas e políticas sociais de valorização da população negra.

O caso segue em tramitação na Justiça Federal do Rio de Janeiro.


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James Brito
Autor
26 anos, natural de Vitória da Conquista (BA), jornalista em formação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Curioso por natureza, busca no esporte um campo infinito para observar, aprender e comunicar.