Filipe Luís quebra o silêncio sobre xingamentos no Maracanã e responde se cogita 'dar dois passos atrás'

Mesmo após a goleada histórica de 8 a 0 sobre o Madureira, o clima na coletiva de Filipe Luís no Maracanã foi de um enfrentamento sincero. Questionado sobre os xingamentos inéditos que recebeu das arquibancadas - um cenário novo para quem é unanimidade como ídolo desde 2019 -, o treinador não se esquivou.
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Com a serenidade de quem conhece as entranhas do clube, ele analisou o protesto e respondeu se o momento exige uma interrupção em sua trajetória no comando técnico.
A conexão de torcedor e a aceitação das críticas
Filipe Luís afirmou que entende perfeitamente os xingamentos da torcida do Flamengo no Maracanã, destacando que também é torcedor desde a infância. O treinador ressaltou que aceitou o desafio de comandar o clube sabendo da pressão extrema, citando que já viu nove técnicos passarem pelo cargo antes de sua chegada ao posto atual.
O comandante lembrou que sua relação com o clube é, antes de tudo, emocional.
"Eu usava a camisa do Flamengo quando era pequeno. Sou torcedor desde pequeno. E cresci vendo e sofrendo com eliminações do Flamengo", revelou o técnico.
Ele reforçou que estar ali não é apenas uma profissão: "Escolhi vir pro Flamengo, pro meu clube do coração, é uma escolha de vida primeiro. Mas sabendo da cobrança que tem".
Filipe Luís confessou que já acompanhava de perto a pressão sobre amigos próximos, como Diego Ribas, e que isso o preparou para o momento atual. "Eu via de longe isso. Mas eu quis viver esse desafio de trabalhar no Flamengo, de viver essa torcida, o bom e o ruim", afirmou, deixando claro que não se surpreende com a volatilidade do futebol.
Responsabilidade e o 'não' ao recuo na carreira
Ao ser confrontado com a sugestão de "dar dois passos para trás" para preservar sua idolatria, Filipe Luís demonstrou uma confiança inabalável. "Eu sei a cobrança, eu sei o difícil que é, mas eu sempre acreditei muito em mim", disparou.
O técnico assumiu a culpa pelo desempenho irregular da temporada e foi enfático: "O resultado não está vindo, ele (torcedor) não está se sentindo representado pela equipe que está jogando. Eu já falei outras vezes, eu sou o responsável por isso".
Filipe Luís descartou a ideia de "recuar" na carreira após os protestos, afirmando que sua única resposta possível é trabalhar mais para recuperar a confiança da torcida. Ele assumiu a responsabilidade pelo desempenho da equipe e garantiu que o respeito pelo escudo do Flamengo é o que guia sua evolução.
O treinador pontuou que seu perfil de liderança é focado na entrega institucional. "Eu não tenho esse perfil de dar carrinho, de lutar, de gritar, que o torcedor às vezes tanto gosta, mas eu tenho outro perfil que me conecta muito com eles: o respeito, o carinho, a dedicação e o respeito principalmente pelo escudo", explicou.
Orgulho do apoio durante os 90 minutos
Apesar das críticas antes e depois do jogo, o técnico fez questão de enaltecer o comportamento da torcida durante a goleada.
"O que me deixou orgulhoso foi que, ok, protestaram, mas durante o jogo apoiaram os 90 minutos os jogadores, e isso se viu, o reflexo disso nos jogadores com a bola", analisou.
Para ele, esse apoio foi fundamental para a construção do placar elástico. "Podia te dizer que dói, mas não. Eu entendo perfeitamente o torcedor, e o que eu posso fazer é eu fazer melhor ainda pra poder trazer eles pro nosso lado de novo", concluiu Filipe Luís, reafirmando que sua conexão com a arquibancada permanece viva, mesmo sob protestos.












