Estádio do Flamengo: Bap volta a cravar que sua prioridade é o Maracanã

O sonho do novo Estádio do Flamengo terá que esperar. Essa foi a mensagem clara enviada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), em entrevista ao jornal espanhol "Diario As". O mandatário voltou a frear uma empolgação sobre a construção imediata da nova casa e reforçou que sua prioridade estratégica para os próximos anos é maximizar o uso do Maracanã.
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Para Bap, o atual cenário econômico do Brasil, com taxas de juros elevadas, torna a construção da arena um risco que poderia sacrificar a montagem de super times. Segundo ele, o custo dos juros da obra equivaleria a perder contratações de peso anualmente.
'Tenho 19 anos para esperar', destaca Bap
O presidente destacou a eficiência da atual gestão do Maracanã como o principal motivo para não ter pressa. Segundo Bap, a margem de lucro do estádio saltou de 3% para 72% sob o comando rubro-negro, transformando o estádio em uma máquina de fazer dinheiro.
"O Maracanã é meu por 19 anos. Tenho 19 anos para esperar e ver se preciso construir um estádio ou não. Já tenho um estádio próprio para duas décadas, porque tenho a concessão do Maracanã. Não vamos abrir mão dele".
Bap foi enfático ao questionar a lógica de investir em uma nova arena se o modelo atual já é extremamente rentável sem a necessidade de obras bilionárias.
"Imagine agora: se o novo estádio não tiver um modelo de negócio que gere ao Flamengo muito mais dinheiro do que o Maracanã gera hoje, sem que ele invista nada, por que eu iria construí-lo?".
Impacto de um novo estádio no futebol
A parte mais contundente da entrevista foi quando Bap colocou na balança o peso dos juros brasileiros. Ele estimou que uma obra de 500 milhões de euros geraria um custo anual de 75 milhões de euros apenas em juros, valor que, segundo ele, pagaria "quase dois Lucas Paquetá por ano".
"Toda escolha implica uma renúncia. Se eu decidir construir um estádio, certamente não haverá Samuel Lino ou Lucas Paquetá, mas poderei ter um estádio novo. O objetivo é ganhar dinheiro", destacou.
O presidente deixou claro que não está disposto a sacrificar a competitividade do time em campo por uma obra de tijolo e cimento neste momento. "Não posso comprometer o futuro da nossa equipe para construir um estádio que é um projeto de 50 anos".
Vale lembrar que o Flamengo comprou o terreno na área do Gasômetro em julho de 2024, ainda na gestão de Rodolfo Landim. Apesar de ter o local garantido, Bap condiciona o início das obras a uma mudança drástica na economia.
"Tenho terrenos, mas se algum dia os juros no Brasil voltarem a ser de 2% ou 3% ao ano, como foram há alguns anos, durante a pandemia, talvez faça sentido construir um estádio. Com as taxas atuais, é melhor ter dinheiro no banco, jogar no Maracanã... e ter recursos para contratar Lucas Paquetá", apontou.
Flamengo e Fluminense dividem a concessão do Maracanã desde 2024, quando assinaram o acordo para controle das operações do estádio por 20 anos.












