‘É um cavalo’: debate sobre Paquetá no Flamengo expõe risco físico no calendário brasileiro

Atualizado: 27/01/2026, 18:13
Lucas Paquetá, do West Ham United, demonstra desânimo após a derrota da equipe durante a partida da Premier League entre Newcastle United e West Ham United, no St. James' Park, em 30 de março de 2024, em Newcastle upon Tyne, Inglaterra.

O possível retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo voltou a gerar um debate sobre o impacto físico do calendário brasileiro em atletas de elite vindos da Europa. Durante o programa "UOL News Esporte", Arnaldo Ribeiro e Danilo Lavieri divergiram ao analisar se o meia conseguiria suportar a alta carga de jogos no país, traçando comparações diretas com Arrascaeta e avaliando o histórico físico do jogador.

Arrascaeta e Jorginho enfrentam o São Paulo? Flamengo define planejamento para o jogo

Debate ganha força com retorno iminente de Paquetá ao Flamengo

A iminente volta de Lucas Paquetá ao Flamengo reacendeu discussões sobre o impacto do calendário brasileiro em jogadores que atuam na Europa. Diferente da Premier League, o futebol nacional impõe uma carga maior de partidas, viagens longas e menor tempo de recuperação, fatores que entram no centro do debate sobre a adaptação física do meia.

Além disso, no caso de craques como Paquetá, ainda entram no radar as datas Fifa, na qual os atletas costumam ter maiores deslocamentos e aperto no calendário. Em 2026, inclusive, haverá a Copa do Mundo no meio do ano, o que estende o problema.

Paquetá é chamado de 'cavalo' devido à condição física

Durante o debate, a condição atlética de Paquetá foi exaltada com o termo "cavalo", utilizado no jargão do futebol para descrever jogadores de força física descomunal e alta resistência. Segundo a análise feita por Arnaldo Ribeiro, Paquetá evoluiu drasticamente seu porte físico e intensidade durante sua passagem pelo West Ham e pela Seleção Brasileira.

"Se o Paquetá chegar, ele não vai precisar do mesmo cuidado que Arrascaeta, porque o Paquetá é um cavalo. Ele consegue jogar todas as partidas. É um cavalo. Tem 28 anos e uma saúde impressionante", disse o comentarista.

Calendário pode pesar contra

Por outro lado, Danilo Lavieri fez uma ressalva. Mesmo sendo um "cavalo" fisicamente, o calendário brasileiro impõe desafios que não existem na Inglaterra como gramados irregulares, calor intenso e logística de viagens continentais.

"A temporada que ele mais fez jogos lá fora foi 43 partidas. Aqui o Flamengo joga perto de 70. A última vez que ele jogou tanto assim foi justamente no Flamengo, em 2018 (56 jogos). Ele vai reencontrar um outro nível de desgaste", comentou o jornalista.

Na atual temporada, contando West Ham e Seleção Brasileira, Paquetá tem 25 jogos, com seis gols marcados. A caminho do Flamengo, o meia não entra em campo desde o dia 6 de janeiro. Além da negociação, o clube inglês afirma que o craque está se recuperando de lesão.

A discussão sobre Paquetá vai além da técnica. Ela escancara um dilema recorrente do futebol brasileiro: até que ponto o calendário permite que atletas de elite mantenham rendimento máximo sem pagar um preço físico alto. O Flamengo é o grande exemplo disso, já que luta em muitas frentes e ainda tem jogadores que defendem suas seleções.

 

 


James Brito
Autor
26 anos, natural de Vitória da Conquista (BA), jornalista em formação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Curioso por natureza, busca no esporte um campo infinito para observar, aprender e comunicar.