Alerta no Flamengo: diretor da Betano prevê fim de contratos recordes e queda no mercado

Atualizado: 05/03/2026, 10:38
Guilherme Figueiredo, da Betano, sorri com camisa do Flamengo em mãos no Maracanã

O contrato de R$ 268 milhões entre Flamengo e Betano atingiu o teto do mercado e, segundo o diretor da marca, Guilherme Figueiredo, os valores recordes estão com os dias contados. Em meio à pressão no Senado contra a publicidade das bets, o executivo projeta um ajuste que reduzirá drasticamente os montantes das próximas renovações.

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Para o diretor da Betano, o ciclo de crescimento desenfreado chegou ao fim. Ele projeta que o mercado passará por um ajuste técnico para retornar a patamares mais realistas. Sobre o cenário atual de renovações, o executivo foi direto:

"Seria uma surpresa muito grande [contrato superior ao do Flamengo], acho difícil, ao menos no curto prazo. O Corinthians acabou de renovar o contrato por um valor maior, 150 milhões, e eu até parabenizei o diretor de marketing, disse que provavelmente ele fez o último grande contrato nesses valores com casas de apostas. A tendência é, sim, haver uma redução. É uma questão de ajuste de mercado."

Essa retração reflete o avanço do PL 3.563/2024, que já passou pela Comissão de Ciência e Tecnologia e agora aguarda relator na CCJ do Senado. O texto proíbe anúncios em camisas, placas de estádios, redes sociais de influenciadores e até a pré-instalação de apps em aparelhos. Se passar pela CCJ e pelo Plenário, o projeto segue para a Câmara antes da sanção presidencial.

A proposta quer extinguir as campanhas que dominam os intervalos comerciais para conter o gasto de R$ 30 bilhões mensais dos brasileiros com apostas. Com o risco de perder a vitrine que justifica o alto investimento, as bets recuam. 

O cerco jurídico remove a vantagem de exclusividade na publicidade em massa. Sem poder estampar o peito da camisa no "momento em que o jogo acontece", o modelo de negócio pode passar por uma grande reformulação. Essa insegurança empurra o mercado de volta para a realidade financeira de anos anteriores.

Betano não vai sair do futebol caso projeto contra bets seja aprovado 

Diferente de marcas que já passaram pelo Manto e saíram, como Samsung ou Fiat, as bets dependem do esporte para existir. O diretor reforçou que a saída dessas empresas é improvável, mas o preço a ser pago vai mudar radicalmente:

"As bets não vão sair do futebol. Samsung, LG entraram e saíram; Fiat, Chevrolet, Parmalat, Caixa. As bets não têm como sair do futebol, porque nosso core business é o futebol e o esporte. Vai ter uma redução de valores, mas a chance dessas camisas serem ocupadas por casas de apostas continua muito grande, porque as casas precisam estar no momento que o jogo acontece."

A projeção da Betano é que os valores voltem aos padrões de 2018, quando os patrocínios master giravam em torno de R$ 30 milhões. Isso representaria uma queda drástica em relação ao faturamento que o Flamengo ostenta hoje no uniforme:

"Repito, as bets vão continuar lá, vão seguir investindo e devemos ter uma média de 12 a 15 times da Série A patrocinados. Mas em valores mais próximos do que eram na realidade. Em 2018, os valores eram 25, 30 milhões de reais por ano."


Matheus Celani
Autor
Jornalista graduado no Centro Universitário IBMR, 23 anos, natural do Rio de Janeiro. Amante da escrita e um completo apaixonado pr futebol, vôlei e esportes olímpicos.