Adeus à 'posse estéril': Léo Jardim explica por que o Flamengo agora joga olhando para a frente

Atualizado: 15/03/2026, 07:01
Leonardo Jardim gesticula durante vitória do Flamengo sobre o Botafogo no Nilton Santos

Se o Flamengo de outrora se notabilizou por ter a bola durante a maior parte do tempo, o Flamengo de Leonardo Jardim quer a bola para machucar. Após a vitória contundente sobre o Botafogo, o técnico português foi questionado sobre a diminuição nas médias de posse de bola em comparação ao trabalho anterior. A resposta foi uma aula de pragmatismo e modernidade.

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Jardim deixou claro que não é um entusiasta da "posse de bola estéril", aquela que circula entre os defensores sem agredir as linhas adversárias.

O fim do jogo para trás

Para Jardim, a posse de bola deve ser uma ferramenta, não um fim. Ele revelou que uma das primeiras ideias implantadas no Ninho do Urubu foi a mudança na mentalidade ao recuperar a redonda: o primeiro olhar deve ser para o gol adversário.

"Sinceramente, eu não sou um treinador que admira muito a posse de bola estéril, que é aquela que vão rodando e o adversário vai ficando no seu espaço. É uma das ideias que andamos a trabalhar: recuperarmos a bola e olhar para a frente. Não recuperar e jogar para trás", disparou o Mister.

O treinador explicou que a equipe está aprendendo a ler o que o adversário oferece. Se o rival pressiona, ele abre espaço; e é esse espaço que o Flamengo de Jardim quer "atacar".

O "facão" e a alternância de espaços

A nova dinâmica ofensiva do Flamengo foge do óbvio. Jardim detalhou que a movimentação do ataque foi desenhada para criar dilemas insolúveis aos zagueiros. Enquanto um jogador aproxima para receber "no pé" (entre as linhas), outro deve atacar as costas da defesa (o famoso "facão").

  • Dinâmica: alternância constante entre buscar no pé e atacar o espaço.

  • Objetivo: impedir que a defesa adversária se sinta confortável em apenas uma postura.

  • Verticalidade: menos toques laterais, mais passes que quebram linhas.

"Se toda a gente vier buscar no pé, é sempre mais difícil. Quando uns vão receber no pé e outros vão nas costas, é sempre muito mais difícil para a defesa", explicou Jardim, justificando o volume de chances criadas no clássico.

Nem tiki-taka, nem transição pura

Ao contrário do que alguns analistas sugerem, Jardim recusou o rótulo de "time de transição". Para ele, o Flamengo é uma equipe de dinâmica coletiva.

A estratégia é clara: atrair o adversário e, no momento em que ele der o passo em falso, puni-lo com velocidade e precisão. O 3 a 0 no Nilton Santos foi a prova definitiva de que o Flamengo aprendeu a ser fatal sem precisar, necessariamente, "alugar" a bola por 70% do jogo.


Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...