A vitória já veio, agora só falta o futebol aparecer também


Por mais que devam ser evitados, os clichês existem porque certas verdades se repetem. Amanhã realmente é um novo dia, o que quer que esteja acontecendo vai mesmo passar, tem sempre alguém sofrendo mais do que você, coisas que só o tempo cura e o que não tem mata tende a te fortalecer, ainda que possa sim no processo te deixar feito aquele meme do “isnupi todo fodido acabado”. Acontece bastante.
Um outro clichê que com frequência se mostra muito válido é a lógica de que tudo que vai volta ou, como diriam algumas avós, "pau que bate em Chico também bate em Francisco". O que você fez com alguém podem vir a fazer com você, a noção que você defendeu pode te prejudicar, a regra que um dia atuou em seu benefício pode ser usada pra quebrar suas pernas quando você menos esperar.
E um cenário que se apresentou algumas vezes nos últimos anos foi o Flamengo enfrentar equipes inferiores, pressionar, criar mais chances, dar mais chutes a gol, sofrer mais faltas, mas acabar sendo batido porque o outro time, ainda que jogando menos bola, foi mais eficiente nas poucas oportunidades que teve. Esse seria o pau que bateu em Chico, vamos dizer.
Porém nesta terça-feira, diante do Vitória, este mesmo pau metafórico decidiu bater em Francisco. Isso porque o Flamengo, em mais uma partida absolutamente abaixo da média, deu menos chutes que a equipe baiana, fez mais faltas, tomou mais cartões, e ainda assim voltou para o Rio de Janeiro com os três pontos, num jogo em que todos os nossos chutes a gol se tornaram gols.
O jogo foi horrível? Com certeza foi. Tirando o golaço de Pulgar de fora da área e a inteligência de Cebolinha para ampliar o placar, o Flamengo novamente parecia tentar praticar algo semelhante aquele vídeo na internet dos amigos que jogam futebol sem correr. A falha de marcação no primeiro gol do Vitória foi ridícula e o pênalti cometido por Alex Sandro passava a sensação de que o lateral, com nível de seleção brasileira, ficaria no banco na seleção de seu prédio.
Nosso ataque parece profundamente inoperante contra qualquer equipe minimamente organizada e nossa defesa está atuando praticamente em bullet time, como se todo mundo estivesse fazendo teste para entrar no elenco de uma continuação do filme Matrix, mas sem combinar com os jogadores da outra equipe. Não está sendo bonito de ver.
A percepção geral é que se o Flamengo terminou 2025 vencendo e jogando bem, ele decidiu começar 2026 zerado, perdendo e jogando mal, e agora podemos ter finalmente entrado na etapa em que ele ganha mas ainda pratica um futebol lamentável. Infelizmente vencer praticando um futebol atraente ainda parece um sonho distante.
Mas ao menos sim, vencemos. E num campeonato disputado como o Brasileirão, ninguém na 36ª rodada vai se lembrar se vencemos jogando bem ou mal, apenas se os pontos estão ou não na tabela. Só que, é claro, não apenas fica bem mais fácil ganhar como também fica bem mais fácil assistir quando o time está praticando algo mais parecido com futebol. Se eles estavam fazendo três meses atrás, dá pra fazer de novo agora














